sábado, 19 de setembro de 2015

Museu de Arte da Pampulha

Originalmente construído para abrigar um cassino, em 1943, o atual Museu de Arte da Pampulha, localizado na Avenida Otacílio Negrão de Lima, em Belo Horizonte, é uma das mais significativas obras de Oscar Niemeyer.

"O antigo cassino faz parte da série de edificações do Conjunto Arquitetônico da Pampulha do período de 1940-43, contornado por jardins projetados por Burle Marx, o cassino da Pampulha conhecido como Palácio de Cristal, foi uma das primeiras grandes atrações da noite de Belo Horizonte. Suntuoso com espelhos de cristal belga revestindo as paredes de seu salão principal e colunas cobertas de aço inox, o Cassino foi ponto de encontro da alta sociedade da época até a proibição do jogo no Brasil em 1946."



"A estrutura em concreto e a escolha pelas paredes de vidro proporcionam a alta integração visual entre o interior e exterior, um dos mais importantes princípios da arquitetura moderna, presente em todas as edificações do conjunto."




Croquis


Croqui feito em 1 minuto

Croqui feito em 15 minutos


Fonte
: Site da prefeitura de Belo Horizonte

Leonilson: Truth, Fiction



Dia 30 de Agosto de 2015 fui ao Centro Cultural Banco do Brasil para visitar a exposição "Truth, Fiction" do artista cearense Leonilson, em exposição até o dia 28 de setembro.


Seria impossível comentar sobre essa experiência sem incluir o que mais me chamou atenção no CCBB aquele dia: as intervenções feitas a partir das obras, que convidam o expectador a mergulhar nas temáticas de forma lúdica e interativa.

1. Musicando
Ao entrar no museu, logo fui informada que haveria uma dinâmica envolvendo música e as obras do Leonilson. Mesmo sem ter visto a exposição, me interessei e acabei sendo conduzida à uma sala que obviamente era destinada ao público infantil, pelo tamanho das cadeiras e luzes coloridas. Na sala, uma moça explicou que o propósito da dinâmica era relacionar música e arte, constituindo-se de três etapas. Na primeira etapa, teríamos que usar os desenhos das obras de Leonilson para criar um poema visual, em uma folha de acetato, e trocar com os outros grupos.





Na segunda etapa, teríamos que colar palavras, oriundas de poemas de Leonilson, em uma folha de acetato, afim de fazer uma correspondência com o poema visual que recebemos do outro grupo. Dessa forma, foi possível uma livre interpretação e fabricação de jogo de palavras.  





Na terceira etapa, usamos tablets fornecidos pelo CCBB para criar uma composição sonora que conectasse ambos os poemas, e assim apresentá-los numa espécie de exposição sinestésica.

Achei essa experiência extremamente enriquecedora, que não só permite um primeiro contato com as obras de forma lúdica como também estimula a criatividade e permite certo relaxamento, ao ser apresentada em um ambiente escuro e com músicas dos anos 80.

2. Varal poético comunitário


No segundo andar do Centro Cultural, percebi uma instalação que remetia à um varal, o qual convidava os espectadores a contribuírem com a sua montagem. Nele, haviam trechos de obras do Leonilson que abriam margem às mais diversas interpretações, junto com folhas e canetas variadas. Dessa forma, quem visita o museu não se sente apenas mais um observador, mas também parte da obra.


Finalmente, a exposição:

Após as interações com as obras sem ao menos conhecê-las, ver o trabalho de Leonilson foi, de certa forma, surpreendente. O caráter confessional das obras me chamou atenção, e a existência de materiais alternativos - o uso do crochê, bordado e linhas são frequentes - me fez questionar que tipo de artista seria Leonilson.




" (...) Os diários compreendem o desejo e sua incompletude. Sonhos e ilusões. As relações amorosas, as paixões platônicas e aquelas não correspondidas. Os caminhos do rapaz apaixonado, os amantes e os amados - reais ou inventados - bem como os autorretratos, as fantasias, a sexualidade, os dias e as horas que passam, a doença."




Os desenhos de Leonilson foram, de certa forma, reconfortantes. Foi interessante perceber como que, com pouca técnica de perspectiva e sombra, o artista é capaz de transmitir o que pensa. Esse minimalismo é perceptível na maioria de suas obras, que transparecem muito da vida pessoal do artista - crescer em uma família extremamente religiosa sendo homossexual, os sofrimentos amorosos e a forma de lidar com a AIDS, doença que acarretou em sua morte em 1993, aos 36 anos.


"Cadeia de significantes e significados, o duplo é um elemento primordial e a partir dele se desdobram imagens de amantes e de casais, a simetria e o espelhamento, o narciso e seu lago, o desenho no infinito e por fim, a morte, ou o último significante na cadeia de significados."

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Animação Cultural e Croquis da EA

O texto “Animação Cultural”, de Vilém Flusser, por meio da utilização de um objeto – uma mesa redonda – como presidente do Conselho responsável pela elaboração de uma Declaração dos Direitos dos Objetos, conduz o leitor à reflexão sobre o papel dos objetos na vida cotidiana. O texto critica a designação de objetos como apenas produtos da mente humana, subordinados às nossas necessidades e nossa cultura. A produção de objetos é consequência da interação do homem com o meio, e do homem com o homem: processo extremamente complexo e, por vezes, impactante para a dinâmica em sociedade. O texto explicita, dessa forma, a necessidade humana em se reafirmar superior aos objetos justamente devido à sua intensa dependência em relação a eles.


Principalmente após a Terceira Revolução Industrial, o uso de tecnologias se tornou ainda mais presente no cotidiano humano, até tornar-se fundamental. A vida moderna sem a existência de celulares e computadores, por exemplo, é praticamente inconcebível. A ausência da inserção nesse contexto prejudicaria diretamente as relações interpessoais e as de consumo, uma vez que a Internet garante ambas de forma rápida e prática. O domínio do objeto sobre o homem pode ser considerado, portanto, um fato.


Apesar de ser possível a interpretação do texto de forma a estabelecer a supremacia do homem, uma vez que somos nós que idealizamos, executamos e comercializamos os objetos – especificamente eletrônicos – é importante lembrar o papel que estes vêm desempenhando no nosso cotidiano, principalmente ao considerar-se a dificuldade de viver sem a existência deles. A vida humana tem sido moldada em função dos objetos produzidos e consumidos: reuniões familiares, entre amigos e até de trabalho são constantemente interrompidas pelo uso de celulares e tablets. Crianças têm dificuldade de comer à mesa e comportar-se em certos ambientes na ausência dos eletrônicos, que são usados como distrativos e substituem interações familiares. Portanto, torna-se necessária e urgente a reflexão a respeito do papel dos objetos na sociedade, como eles interferem na dinâmica entre pessoas e espaços - influenciando, diretamente, no trabalho do arquiteto.


                                                Croquis da EA